Enilson Simões de Moura, o “Alemão”
Data: 08-06-2020 | Publicado por: UGT - Paraná

 Enilson Simões de Moura, o “Alemão”

alemaao-2020.jpgNão adianta pedir para um jacaré levantar voo. Ele jamais o fará, não foi feito para isso. Não dispõe de condições mínimas para tal. Não adianta pedir para Bolsonaro governar, ele não possui as condições mínimas para essa responsabilidade.

Sérgio Buarque de Holanda em seu clássico "Raízes do Brasil" nos fala do "homem cordial" brasileiro. Aquele que não preza as instituições, mas que busca nas relações pessoais a proteção de sua vida e dos seus. Esse "homem cordial" é um atraso, e atraso é Bolsonaro, mais preocupado com a sorte de seus filhos do que com a de milhares de brasileiros. Para esses, sobra o "e dai?" ou "é o destino de todo mundo morrer". Já para proteger os seus vale tudo, até acordos com o nefasto "Centrão" e a demissão do fiador da moralidade de seu governo, o ministro Sérgio Moro.

Bolsonaro não governa porque é pautado por uma obsessão, a de ganhar as eleições em 2022. Não saiu do palanque eleitoral e, muito provavelmente, não o fará. Espera os encontros semanais com seus cada vez mais minguados apoiadores para inflar seus arroubos de autoritarismo e autossuficiência.

Bolsonaro não governa porque seu governo está tomado pela ideologia de Olavo de Carvalho, um astrólogo medíocre que nada entende de política, mas entende muito de velhacaria, fofocas palacianas, insultos e verborragia vazia que só encontra eco nas hostes bolsonarianas.

Bolsonaro não governa porque, tendo feito parte do exército, foi péssimo militar. Não geriu sequer sua carreira, fazendo dela apenas um trampolim para seus medíocres voos na Câmara dos Deputados na qual sempre foi visto como uma figura exótica e anacrônica, objeto de piadas de programas como o extinto CQC da TV Bandeirantes ou outros ainda menos assistidos. Figura bizarra que teve, como deputado, uma carreira da profundidade de um pires.

Um país sem governo é um país que caminha para a catástrofe. Assim como o navio Titanic há mais de cem anos, o Brasil segue, sem respiradores, sem equipamentos de proteção individual, com seu capitão entorpecido por uma falsa autoconfiança rumo ao iceberg chamado Conoravírus. Muitos passageiros do Titanic morreram porque não acreditavam que o navio afundaria. Bolsonaro atua fortemente para minimizar a doença e a tragédia só faz crescer. Bolsonaro lembra o velho Chacrinha que dizia "eu vim para confundir e não para explicar". Com uma diferença fundamental: Chacrinha era um palhaço engraçado. Bolsonaro é um palhaço sem nenhuma graça.

Nenhum país civilizado pode prescindir de governança. Bolsonaro entrega o país à própria sorte diante da maior pandemia enfrentada por esta nação. Revela cotidianamente sua incompatibilidade com a responsabilidade necessária a um estatista.

No momento em que o país precisa de um governante que chame a si a responsabilidade para uma grande coordenação nacional que combata a pandemia e previna contra o tsunami sobre a economia que depois virá, Bolsonaro abandona governadores, prefeitos e até mesmo seus cidadãos, afinal, para ele, tudo não passa de uma "fantasia". Para ele, a COVID-19 é apenas uma "gripezinha".

Bolsonaro não governa porque gosta de bancar o "tiozão" do WhatsApp disseminando suas fake news patrocinadas com dinheiro público, conforme está revelando a CPMI.

Bolsonaro não governa porque escolhe como ministros ou assessores, meros bajuladores incompetentes e vociferadores de imprecações contra as instituições democráticas, conforme vimos na famosa "reunião ministerial".

Bolsonaro não governa porque prefere o ódio contra os negros, contra os indígenas, contra os trabalhadores, contra a imprensa ou contra qualquer um que não pense como ele.

Bolsonaro não governa porque prefere fazer alianças com grileiros, mineradores ilegais, desmatadores e outros malfeitores.

Bolsonaro não governa porque protege terroristas que pedem a volta do AI-5, da ditadura militar e usam armas para ameaçar instituições como o STF e o Congresso Nacional e ataca os democratas que pedem respeito à Constituição.

Finalmente, Bolsonaro não governa porque dá razão ao Barão de Itararé: "De onde menos se espera que saia alguma coisa, dali é que não sai nada mesmo".

Enilson Simões de Moura, o Alemão, é vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores

Post Mario de Gomes
Fonte: UGT Nacional
Foto: arquivo UGT-PARANÁ

Secretário de Comunicação UGT-PARANÁ
João Riedlinger